karina@anakarinaluna.com///skype: karina_luna///instagram///home
Exposição Individual (em cartaz):
O Corpo é um Poema Fatiado
Ilustrações gandaieiras do corpo.

A exposição "O Corpo é um Poema Fatiado" é influenciada por pelo menos três elementos: a vivência do meu livro "SAINDO DA PISCINA DE ÉTER" (que relata o 'acordar do éter' durante a volta dos EUA para o Brasil em 2014: com um mergulho profundo em águas Maceioenses de fascínios, afetos e sensações), pelas incursões na Gestalt Viva (que aborda o corpo/animal interno/instinto, e suas emoções, como caminhos de sanação), e pela experiência da subida do mergulho de 2014 (ou seja, a travessia de um deserto pessoal, e onde uma reconexão com o corpo é possível). E como todo deserto é fértil, quando o éter passa, o que está lá? As sensações do corpo. Mas antes destas, vem a integração, a trazida à tona do que em si mesmo se esconde. Os buracos de si. De fato, talvez os travessões nos poemas do livro sejam arautos mudos de buracos que não desejavam se esconder mais tanto. E o processo continua depois do livro. Em cada desenho, um a um, os travessões vão desencantando como abóbora de cinderela. E assim surge o corpo, sábio instinto, fornecedor de informações raras e caras. O corpo, buraco em si e de si. Vazio e cheio. Deserto e oásis. Céu e inferno. O corpo que é separado, e é junto. A civilização fez dele apenas partes, mas a cobra, o réptil que ainda carregamos em nós, sabe que o corpo é inteligentemente ligado em todas as suas partes. O corpo é poema, diz sempre mais do que apenas as partes. E finalmente, no 'eu e o outro': ali também está o corpo. Vínculo. E o replugue, cabeça-corpo, se inicia.

RECEPÇÃO DE ABERTURA
Sexta, 29 de Março 2019, 19:00

EM CARTAZ
29 Março a 31 Maio 2019
Café da Linda, Maceió, AL
Dentro do Teatro Deodoro, quando houver espetáculo:
Ter a Sex 18:00-21:00   /   Sab e Dom 17:00-21:00

»  Fotos da exposição →
»  Matéria no Blog Aqui Acolá →
»  In English →





DESENHOS GRANDES (46cm x 62cm): carvão + pastel a óleo




DESENHOS PEQUENOS (28cm x 36cm): carvão + pastel a óleo


LINÓLEO-GRAVURAS ÚNICAS:
impressas a partir do linóleo entalhado (pressionado com colher de metal) ou blocos de madeira, com tinta óleo tipográfica + detalhes em pastel a óleo, no papel Japonês







POEMAS RELACIONADOS:



...

O Corpo é um Poema Fatiado

Ali à mercê:
o DNA pendurado
no corpo se desfazendo, sendo o que quer,
virando tudo ao redor.
A faca e o garfo lá. Mas não precisa, come com a mão.
Come-se pelos finais, que alimentam.
Os términos do tubo humano são os corações do comer.
Mas também espáduas beijadas viram asas.
E assim também meu fígado te estima.
Tanto o quanto se avulva, e assim me faço.
Espáduas-asas, fígado-vulva.
Não me deixas, não te deixo.
Eu te formo, tu me formas.
Senhoras e senhores,
o DNA-cobra,
a cobra eu digo, o réptil
que guarda-te a espinha,
eu digo o ânimo-animal, senhoras,
que chega em cima, de baixo,
e senhores: a kundalini.

18 a 29 Março 2019
(foi descendo fatiado com os desenhos)


»  Ouça o poema →
»  Assista à declamação →

...

O Corpo

Eu pensei que sabia, mas agora
é que a teoria lambe o fato, pois
língua do corpo diz muita coisa:
pra além da pele, esborra em ato o que sente,
depois suga o ato e sente de volta o que esborra.
Inicia-se aqui a sensação-do-fato,
muito e bastante — de que sou o corpo,
de que ele sou eu,
ele é o guia,
autoestrada emocionada, às vezes rua de barro.
Corpo. Poeira. Não: pó denso.
Que posso confiar, que ele é grande, que ele é meu — ele é centro
pois pensei, há muito, que não tinha o corpo,
que tinha o corpo fraco,
que tinha e não o tinha.
Despertado, se sabe, sensível, se tem, conta histórias, se conhece,
— o corpo manda cartas, notinhas, recados, bandeiras de flor.
É radar do que não sei. (Sei sim pois corpóreo sou.)
O corpo sendo livre, é deusa.
Sendo catarse, o corpo é poeta.
O tempo do corpo — é imperativo, enorme!
Tendo corpo: um é, um foi, um será. Estou aqui, e nele está: o quê?
Sendo bolo, vê-se bolo — quem tem corpo tem prazer.
O corpo que é o da delícia. O corpo o tempo todo.
Muito prazer, sinto. Muita dor. Também.
O corpo faz bolo, come o bolo, o corpo sente: que é bolo.
Mulheres-bolo. Homens-bolo.
Comem-se, comem e são comidos.
Juntos, separados, espectrados, unidos.

18 Março 2019
(veio com o primeiro desenho: "O Corpo")


»  Ouça o poema →
»  Assista à declamação →